sábado, 22 de abril de 2017

FOLHA EM BRANCO


uma gaivota convenceu-se que era pessoa, bicou uma nuvem e convenceu-se que era algodão doce. agradou-lhe o sabor, sentiu-se feliz, deliciada.

uma pessoa deu um salto e mergulhou a cabeça um pouco abaixo da superfície eriçada do mar, convencida que era gaivota. esticou os lábios e apanhou um pedaço de plástico brilhante (o brilho era mero efeito do reflexo solar). convenceu-se que era um pedaço de sushi. sentiu-se indisposta, agoniada, com a garganta a arranhar, do lábio superior correu-lhe um fio de sangue. passou a detestar sushi.

moral da história?

antes gaivota por um voo que pessoa por um mergulho

antes gaivota otimista que pessoa pessimista

o algodão doce tem uma textura e um sabor cem vezes mais agradável que o plástico

o sonho é que conta, a realidade só atrapalha

a poluição das nuvens nota-se menos que a do mar

as aparências iludem (mas isso já era sabido…)

se não tens imaginação, inventa

para um escritor inexiste folha em branco (existem, sim, folhas queimadas, ressequidas, desfeitas em nada, que podem ser restauradas, nem que seja à custa de palavras, apenas palavras, umas a seguir às outras, embora desligadas de sentido útil... ou lógico... ou real)

nem tudo o que se diz é verdade








quarta-feira, 19 de abril de 2017

JE SUIS MALADE, COMPLETEMENT MALADE


caminhas entre a vida e a morte, o abrir da vida e o fechar da morte.  duas portas a uma lonjura, a dado ponto, equidistante. só que nunca saberás quando tocaste ou hás de tocar esse ponto. talvez por isso, oscilas. ou talvez não seja por isso. segues uma linha que nem imaginas. ora direita como um fuso ora cambaleante como uma bêbada. assim caminhas. sabes lá donde vens ou para onde vais! sabes lá como! sabes lá porquê! olhas para trás. tudo se esbate. os sons, os traços das imagens idas, as promessas do sempre a negarem-se,  embrulhadas em neblina. só nos sonhos, nos sonhos do sono, se agitam vivos os fantasmas. embora não falem. acordas com a sensação de que o coração te esconde muitas coisas, durante os dias. os dias em que caminhas em direção sabes lá a quê, sabes lá por que trilho. mas tens de caminhar. sempre. dás uma corrida de olhos bem fechados. não sentes o impacto do obstáculo. paras, assustada. é aí que oscilas. o abismo está mesmo em frente. aliás, cerca-te por todos os lados. assalta-te a vertigem. os precipícios assustam-te. não, não é por teres medo de cair. é porque desejas mesmo cair, sentes uma enorme atração pela queda. encontrar o vazio. e é desse desejo que tens medo. pouco sabes, não sabes nada. sabes, todavia, que. sentes-te mal. pensas, je suis malade, completement maldade.


(vídeo obtido em pesquisa no You tube)


segunda-feira, 17 de abril de 2017

AMOREIRAS 360º PANORAMIC VIEW



Até que, finalmente, cumpri esta visita tão adiada! Subi ao topo do Amoreiras Shopping Center, para observar Lisboa numa volta de 360 graus. O objectivo era, também, fotografar. Escolhi mal a hora, pois o sol batia dum tal ângulo que mal conseguia ver as imagens captadas no écran. A certa altura, desatei a disparar (a câmara, entenda-se!) aleatoriamente. O resultado, ou melhor, uma sua parte, fica a seguir.