terça-feira, 30 de dezembro de 2014

PRÉMIOS 2014

 
Passo por aqui muito a correr, apenas por questão de justiça: não queria terminar o ano sem atribuir o seu a seu dono, isto é, os prémios 2014 aos personagens que, por uma razão ou por outra, mais se destacaram neste ano em vias de extinção.
 
Assim e telegraficamente:
  • Prémio CASAL DO ANO:  Sr. Ébola e Sr.ª Legionella;
  • Prémio VIAGRA: Digníssimos magistrados (com idades entre os 55 e os 64 anos) que decretaram que, para uma mulher de 50 anos, o sexo já não tem grande importância;
  • Prémio HAJA PACIÊNCIA ou FAZ PELA VIDA: Cônjuges dos ditos magistrados;
  • Prémio HOLMES PLACE: Gorduras do Estado;
  • Prémio SINISTRO ENGRAÇADOTE: António Pires de Lima;
  • Prémio SHOW TELEVISIVO DO ANO: A prestação do Advogado João Araújo, antes de ter percebido a bronca em que estava metido;
  • Prémio CIDADE MAIS VISITADA DO ANO: Évora;
  • Prémio NÃO SE NOTA NADA: Saída da TROIKA;
  • Prémio ECLIPSE DO ANO: António José Seguro.
 
Bye, bye!
 
 
 
 
 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

2015: PREVISÕES


Apesar do título, aliás, por causa do título, devo avisar que não sou astróloga, pelo que, caso as previsões venham a revelar-se erradas, declino, desde já, qualquer tipo de responsabilidade. 
 
Então, em 2015, Portugal será assim: 
  • O presidente da República irá ser um senhor dado a estados vagais e a comer bolo rei de boca aberta, chamado Cavaco Silva, que, segundo consta, entrou para a política, por assim dizer, activa, devido à rodagem duma viatura, vai para cento e cinquenta anos;
 
  • O destaque da sua actuação irá para a não dissolução da Assembleia da Republica, a não objecção a qualquer diploma emanado do governo, e um mutismo quase absoluto, ao menos até que estoire a 3ª guerra mundial (e só se fizer muito barulho);
  • A responsabilidade do Governo recairá sobre os ombros dum senhor de nome Passos Coelho, coadjuvado por um vice, chamado Paulo Portas (outrora conhecido por Paulinho das feiras), embora, na prática, o seu comportamento venha a suscitar sérias dúvidas sobre se, afinal, fará ou não parte do Governo, sendo, todavia, certo que sim, que fará, como, curiosamente, (também) o seu comportamento se encarregará de demonstrar;
 
  • Tais responsáveis governamentais, face à inexistência de mais empresas públicas rentáveis - todas privatizadas ou tornadas empresas públicas doutros Estados, v.g., a China -, irão promover a privatização da Plataforma Continental/Zona Económica Exclusiva e da Barragem do Alqueva; 
  • Lá para Outubro - que isto não é a Grécia! -, haverá eleições legislativas, das quais sairá um novo governo (não confundir com governo novo!), devendo a pertinente responsabilidade mudar de ombros, com a consequente rodagem de boys/girls e afins;
  • Esse evento será precedido duma longa fase de agitação e desnorteamento político-partidário, em que os vários partidos em jogo apostarão nas mais alucinantes promessas, perante a indiferença (e impotência) de meia dúzia de portugueses(as), eu incluída, a crença e o entusiasmo duns tantos milhares (bem-aventurados), e o embrutecimento dos restantes.
  • Das miríades dessas promessas, salientam-se, a descida do IRS e do IVA para níveis nunca antes vistos, tipo, 2% neste último, a criação de reservas para velhos  e distribuição dos respectivos bens, pensões à cabeça, pelos jovens, mediante rateio, com base em parâmetros a definir, o pleno emprego, com possibilidade de escolha do posto de trabalho e respectivo salário, etc., etc., etc.;
  • Novidade será, pela negativa, o facto de os concorrentes não poderem contar com as contribuições do Dr. Ricardo Salgado (com outras contarão) e, pela positiva, o facto de passarem a presentear os pretensos apoiantes ou meros paspalhos que vão a todas, incluídos os emplastros, com telemóveis de última geração, em vez dos tradicionais (e rascas) esferográficas de plástico e calendários;
  • Esgrimir-se-ão muitos e variados argumentos entre os vários partidos e facções, tudo moldado em hábeis, mas batidas, coreografias de seriedade e sentido de Estado ou de exaltação e agressividade, mas nada passará de mais do mesmo, aquilo a que qualquer campanha já nos habituou; 
  • A tónica será a da promentira, novo vocábulo resultante da contracção de promessa e mentira, que tanto pode significar uma promessa falsa, como uma mentira proactiva, como quando se acusam os adversários de fazer o que nós fazemos, para induzir o esquecimento de que fomos nós que fizemos o que dizemos que os outros fizeram, sendo certo que nós fizemos, eles fizeram, nós faremos, eles farão, portanto, apesar da novidade do vocábulo, o resultado será idêntico ao verificado em anteriores eleições legislativas, a saber, um governo do arco da velha, perdão, do arco governativo, aliás, vai dar ao mesmo;
  • Não haverá uma maioria absoluta, porque o povo é parvo mas não tanto, ou melhor, uma grande parte do povo é parva, mas a outra, embora mais pequena, não tanto;
 
  • O partido de esquerda beneficiará duma expressiva subida, ficando, todavia, aquém do açambarcamento do poder, até porque rejeitará qualquer coligação (necessariamente) à (sua) direita, que isto de governar tem os seus custos ou então não;
 
  • O partido do Dr. Marinho Pinto ou Marinho e Pinto - esta dúvida atormenta-me, nunca sei se tem o e de permeio ou não, e entendo que isso deve ser esclarecido na campanha, sendo, mesmo, a única coisa que pretendo ver esclarecida - vai fazer muito basqueiro, para usar a expressão do outro, mas duvido que repita a proeza dos votos que o conduziram à indesejada Bruxelas, esse antro de boa vida e dinheiro fácil, como ele, in loco, constatou, e que pouco aguentou, apesar de ser pobre e ter uma filha a estudar no estrangeiro, coitado;
  • Um ex-dirigente do partido socialista e ex futuro primeiro ministro assistirá, mudo e quedo, ao desenrolar dos acontecimentos, enquanto aguarda que o seu lugar ao sol, como comentador político televisivo ou como qualquer outra coisa, talvez no estrangeiro ou num banco - recepcionista ou ex-futuro administrador? - finalmente brilhe;
  • Nuvens negras, desaparecidas este Natal, planarão sobre a cabeça dos vencidos até que decorra novo ciclo eleitoral, mas isso já será conversa para anos futuros;
  • Lá para o final do ano, o tal Sr. Cavaco Silva preparará a sua retirada, a fim de ir gozar a pobre reforma e os lucros da venda das acções do BPN para a quinta da coelha ou, então, figurando, como sapateiro, no Presépio vivo da D. Maria, sua senhora;
  • O engenheiro José Sócrates irá passar o Natal a casa, após ter deixado de receber visitas e encomendas, e de ver devolvidas 500 das 400 cartas que dirigiu a órgãos de comunicação social;
  • O seu antigo motorista será condecorado por relevantes serviços prestados à Justiça ou talvez já não ou ainda não;
  • O Juiz Carlos Alexandre terá um esgotamento nervoso;
  • O ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas emigrará para sítio incerto, pois não acredita na irrevogabilidade dos arquivamentos processuais;
  • As gorduras do Estado continuarão por descobrir e eliminar, a Justiça, ressalvada alguma aceleração à (contra a) esquerda, continuará a ser lenta e manhosa, o Serviço Nacional de Saúde continuará a desagregar-se, os professores continuarão a ser colocados seis a oito meses depois do início das aulas, o número  de boys e girls continuará a aumentar, a sustentabilidade da Segurança Social continuará a ... 
Bom, eu até previa mais umas coisas, mas isto já está muito longo, ninguém me paga e, para além do mais, Vocês estão fartos de saber como vai ser!

 

Nota: As imagens, à excepção da última, de minha autoria - foto dum cartaz, feita numa Manifestação, em Lisboa, em 02 de Março de 2013 -, foram obtidas em pesquisa Google. 





quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

DOIS CORAÇÕES

 
 
Ia pela rua, na distracção do costume. Mesmo assim, encontrei algo, algo precioso, um coração. É verdade, um coração de pedra, mas, mesmo assim, um coração e um coração é sempre precioso, bem, nem sempre, mas vamos partir do princípio de que sim. Só porque sim!
 
Ei-lo, mas ao contrário, por mero capricho tecnológico, que não atino a contrariar (pode-se sempre virar o écran de cabeça para baixo...):

  
 
Segurei-o com todo o cuidado, dei-lhe mimo, e, qual não é o meu espanto, quando o vejo estilizar e ganhar cor! E não é que aqueceu?! Foi do mimo - pensei - nunca é demais ou debalde que se dá mimo. Acontece sempre uma coisa parecida com aquela do nada se perde, tudo se transforma! Bem, nem sempre, mas vamos admitir que sim. Só porque sim! 
 
Ei-lo, mas ao contrário, por mero capricho tecnológico, que não atino a contrariar (pode-se sempre virar o écran de cabeça para baixo...):
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

DUAS CASINHAS!


Votos de Feliz Natal e excelente Ano Novo, para todos os seguidores e leitores deste espaço
 

(Eis a casinha de madeira e a árvore de esferovite que pintei e decorei, juntando um par de duendes, para figurar como decoração natalícia. Tudo porque gostava de viver num sítio assim :))
 
 
 
 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O BRONCO


Acabei de parar no sinal vermelho, ao meu lado para um polícia montado numa mota, reparo que pretende falar-me, baixo o vidro, aguardo a comunicação e ela aí vem, nestes termos - então aquela passadeira ali atrás, a multa segue para casa!
Olho-o espantada e pergunto - que passadeira?
Ele insiste em que é aquela ali atrás, perante o que manifesto espanto, pois não me apercebi de ter cometido qualquer infracção relativa a qualquer passadeira ali atrás ou noutro sítio qualquer, isso é mesmo deveras improvável, pois tenho por hábito cumprir escrupulosamente com o respeito devido aos peões, ou seja, não costumo infringir passadeiras. Passar um sinal vermelho à tangente ou exceder um pouco a velocidade, hei de confessar que, por vezes, acontece, embora com as necessárias e redobradas cautelas, seja em relação a peões seja em relação a outros veículos.
Enfim, a minha reacção é do mais puro dos espantos, envolvendo um certo aparvalhamento.
Ele, sempre na dele, remata - a multa vai para casa, é pelo Natal!
De aparvalhada passo a revoltada - a maldade e o abuso de poder revoltam-me - e ainda desperto da estupefacção para lhe dizer - gosto de saber que fica feliz por me mandar esse presente de Natal, mas o sinal abriu e ele já vai em andamento.
A minha revolta transforma-se em fúria e, enquanto ele se vai escapulindo por entre os carros à minha frente - talvez com pressa de passar a multa -, acelero e desato a buzinar e a mandar sinais de luzes, com o intuito de o fazer parar e ouvir o que tenho para lhe dizer. Estranhamente, tal não acontece, estranhamente, porque o meu comportamento, entre ferozes buzinadelas e sinais de luzes, dirigidos a sua excelência a autoridade montada,  é, agora, verdadeiramente digna de multa. A autoridade deve estar distraída ou com pressa e não me faz a vontade, não para.
Eu só queria dizer-lhe que estou ansiosa por receber a multa, para ficar a conhecer a sua identidade e, assim, poder fazer queixa dele. Por simples questão de cidadania. Em primeiro lugar, porque continuo sem saber que raio fiz eu à passadeira; em segundo lugar, porque não suporto gente arrogante e mesquinha, que se contenta com a desgraça - ou aquilo que julga ser a desgraça - alheia, no caso, uma multa; em terceiro lugar, porque ainda suporto menos que a esse tipo de gente estejam confiadas funções públicas, envolvendo, de alguma maneira, o exercício do poder.
 



 
(Imagem obtida em pesquisa no Google)
 
 
 
 
 

domingo, 14 de dezembro de 2014

HABEAS CORPUS

 - Why not? Afinal, estou na plena posse dos meus direitos políticos, sou maior e vacinada e, a acrescer, recebi para cima de 25 000 euros do chamado sucateiro. Portanto – repito – why not?
Bem vistas as coisas, o homem está preso, em regime de trabalho intensivo, incluindo fins-de-semana e feriados – não sei se ainda há dias santos, mas, em caso afirmativo, também se incluem -, naquela coisa pomposamente designada Campus de Justiça - nome que me sugere um descampado, isto é só um aparte -, soterrado em resmas e resmas de folhas processuais, aquilo já deve parecer um caldeirão de sopa de letras a fervilhar em lume brando, e, para mais, preso nos holofotes da imprensa, incluída a cor-de-rosa, não pode fazer uma rusga que não seja capturado nos flashes do fotojornalismo, sem tempo para se coçar, quanto mais para se dedicar à família, que, ou me engano muito ou tem nomes tipo Rosa Maria, Sãozinha e Quim Zé (respectivamente, mulher, aliás, esposa, filha e filho, apenas hipotéticos, pois não tive tempo para investigar a composição e onomástica do agregado familiar).
Ora, não é justo - pensei. Por mais corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal que o País atravesse, não me parece que isso constitua fundamento adequado para se manter este homem preso, aliás, acorrentado, a tal magnitude de peças processuais, holofotes televisivos e bocas do mundo.
Por outro lado, não sei o que fazer ao saco de papel onde me entregaram a meia dúzia de castanhas assadas que comprei há pouco, por sinal, um belíssimo saco, com duas bolsas, uma, como é óbvio, para as próprias castanhas, a outra, não percebi muito bem para quê, aliás, quando vim a perceber, já tinha jogado as cascas todas para o meio da rua, deixando um carreiro, à medida que ia andando e morfando, como se precisasse de deixar marcos para o caso de ter de percorrer o caminho em sentido inverso, sem o risco de me perder, como na história infantil. Aquele chão ficou tão giro, cheio de cascas dispersas, que bem podia servir de musgo para o Presépio. Mas isto já é divagação secundária.
Assim, vai daí, peguei no lápis que sempre me acompanha, as mais das vezes enfiado atrás da orelha, e, sobre uma das partes do dito saquinho das castanhas – deixei a outra para o despacho -, redigi um pedido de habeas corpus, a favor do juiz Carlos Alexandre, com fundamento em falta de fundamento, ao menos tanto quanto a parte violada do segredo de justiça deixa transparecer, para a sua dita situação de aprisionamento, ou melhor, acorrentamento, pedindo urgência na decisão, a fim de ele poder passar o Natal, descontraidamente, com os hipotéticos Rosa Maria, Sãozinha e Quim Zé, sem ter de andar a calcorrear aeroportos, cais e outros sítios, a prender cidadãos do mundo.
- Why not? Foi o que pensei. Ah!, apresentei o pedido ao ACFPP (Alto Comissariado para os Futuros Presos Preventivos), acabado de criar sob a presidência de…, bem, ainda não sei, quer dizer, a imprensa ainda não regurgitou.
(Imagem obtida em pesquisa Google)
 
 

 
 

 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

JANELA COM VISTAS


Uma janela com vistas é como uma pessoa de alma aberta, sem medos nem defesas; portanto, uma janela com vistas é diferente duma tal pessoa. Porquê? Pela óbvia razão de que existe. Todavia, as paisagens desvendadas por uma janela com vistas podem identificar-se com as almas, no mistério e no insondável que revelam ... ou escondem.
 
Estas são janelas com vistas e estas são as vistas:
 
 





 
 

 


 
 





  


 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

ÚLTIMA HORA

Advertência: os nomes que seguem foram inventados e, quanto às notícias, qualquer coincidência com a realidade é pura semelhança.
  • Cavaco reconsidera condecorar Sócrates, tendo em conta que este conseguiu a proeza de ser o primeiro ex-primeiro-ministro português a ser preso preventivamente por alegada suspeita de corrupção.
  • Sócrates prescinde de empréstimo bancário para ir passar uma temporada de reflexão a Évora, onde se dedicará a escrever um ensaio intitulado A VIDA É LIXADA: Consequências da Queda do Espírito Santo.
  • Portas foi detido para interrogatório pelo juiz Alexandre, quando desembarcava dum submarino, após ter passado o fim de semana no lago do Parque Eduardo Sétimo, onde se dedicou afanosamente a lavar notas.
  • Passos evita passar fins-de-semana fora e queima papelada relativa a ONGs.
  • Passos leva a conselho de ministros uma proposta, visando tornar o cargo de PGR vitalício; corre entre os ministros que a ideia foi urdida com a activa e irrevogável colaboração de Portas e que é conhecida por Vidal Forever.
  • Ao saber desta notícia, Sócrates não para de se interrogar, - porque não fiz eu aprovar uma lei que convertesse o cargo de PGR em vitalício?
  • Maria reza às figurinhas do Menino Jesus e de Nossa Senhora dos Presépios de estimação para que o juiz Alexandre não se lembre de ir vasculhar nos casos BPN/SLN e Casa da Coelha… que se saiba.
  • Estão iminentes novas buscas à divisão secreta da casa do Loureiro, tendo em vista apreender o que lá foi esquecido da outra vez.
  • Se dúvidas havia, está demonstrado que os políticos não são todos iguais, uns são morenos, outros louros, uns são baixos, outros altos, uns mentem outros… (está bem, esta é a excepção que confirma a regra).
  • Cavaco reconsidera convocar eleições antecipadas, embora não tenham sido adiantadas razões.
  • Passos, apesar de se estar nas tintas para as eleições, iniciou a campanha pré-eleitoral (sim, até à campanha eleitoral propriamente dita, muita água ainda vai correr sob as pontes ou, inclusive, por cima delas), como o demonstra o facto de ter sido ouvido a perorar com ar melífluo - como quando, contritamente, pediu desculpa aos portugueses por sufragar o último orçamento Sócrates (remember?) -, chegando ao (comovedor) ponto de lamentar a recente emigração em massa de portugueses (que ele próprio tinha instigado, remember?).
  • Costa encontra-se perante um dilema existencial: pondera livrar-se da tralha socratista, mas receia que, no processo, tenha de livrar-se de si próprio.
  • Tó-Zé não tem parado de sorrir candidamente (para fora, para dentro, é só gargalhadas), enquanto se prepara para ocupar a vaga de comentador da RTP 1, que já visualiza como rampa de lançamento para a presidência da república.
  • Lopes está atento e, à cautela, já foi anunciando que a Misericórdia vai promover festas para o povo, aos Domingos à tarde, com direito a lanche e música pimba.
  • Barroso também está atento e não lhe falta vontade de regressar ao país que, em tempos, encontrou de tanga e deixou despido; entretanto, vai dando umas conferências, sob os apelativos títulos, A Excelência do Cherne, A Arte de Servir Café aos Senhores do Mundo, A Promessa das Lajes, e outros do género.
  • Ricardo mandou colocar diamantes na pulseira electrónica que o prende aos off-shores, mas em entrevista ao SOLOL, referiu que são pedrinhas de plástico.
  • O juiz Alexandre anda a Red Bull.
  • Vai ser instaurado o segredo de justiça, em Portugal.
  • Os jornalistas andam super empolgados com a descoberta duns objectos estranhos que costumam circular pelas ruas da capital, sobre quatro rodas, por exemplo entre o Aeroporto e o Campus da Justiça e entre este e Évora, com umas pessoas lá dentro. Parece que se chamam carros ou carrinhas.
  • Cavaco acabou de se engasgar, ao sofrer uma crise vagal em pleno acto de deglutição duma fatia de bolo-rei.
  • Portugal está a mexer. Mal, para baixo. Quiçá umas aulas de Kizomba lhe fizessem bem. - O quê?, perguntou a dos Santos, disponível.
  • Portas comove-se e faz beicinho, à beira das lágrimas, ao anunciar que Portugal se prepara para ser o maior exportador de vistos gold de que há memória.
  • Giorgio Armani oferece-se para desenhar a nova vestimenta (por assim dizer, prisional) de  Sócrates.
  • O motorista de Sócrates arrepende-se de não ter escolhido outra profissão e promete colaborar com a Justiça, a troco de perdão de pena.
  • A LENA não existe.
  • Descobriu-se que o amigo de Sócrates é, afinal, irmão de Sócrates, quer dizer, filho da mãe de Sócrates. Esta, por seu turno, não é mãe de Sócrates, mas irmã da mãe de Sócrates, tia do amigo-irmão deste, que é, afinal, seu primo. O pai é que será comum, embora não haja a certeza, porque o CSI anda ocupado a resolver casos na TV e ainda não teve tempo para efectuar os testes de ADN. Esta inversão de prioridades está a deixar os telespectadores deveras enfurecidos, pois, no entretanto, só vêem carros dum lado para o outro, e pensam, ainda se fossem OVNIS! Bem, mas isto já é matéria para outra sede, pois carece do rigor jornalístico da notícia e, claro, da fuga de informação/violação do segredo de justiça.
 
(imagem obtida em pesquisa Google)
 
 
 

domingo, 23 de novembro de 2014

AS PALAVRAS DO TEU OLHAR


Os teus olhos estendiam-se lá para longe, bem longe, enquanto os meus não descolavam dos teus.
Tentei, desesperadamente, percorrer a passadeira que separava os teus olhos do objecto da sua perdição, mas não consegui chegar a lado nenhum. Não admira, revelou-se um percurso nada linear, parecia desdobrar-se em várias direcções, deixando-me perdida em idas e voltas labirínticas, como quando se percorre uma árvore genealógica rica de familiares, episódios matrimoniais e filiações ilegítimas.
A inquietação moía-me os neurónios e comecei a cirandar pela sala, saltitante na tentativa de adivinhar,  onde te perdes de pensamentos, pior, de sentimentos, tão ausente nesse teu olhar perdido? Se me visses e ouvisses, havias de rir, pois quem estava perdida era eu, perdida no labirinto das hipóteses desalinhavadas que a minha mente urdia, na criatividade do medo e da suposição.
Bem queria aproximar-me, mas receava não aguentar o regresso do teu olhar, interrompido na sua lonjura. Bem receava aproximar-me, mas precisava de saber como regressariam os teus olhos desse lado outro, longínquo.
Dei mais umas voltas pela sala, como se o tagarelar dos sapatos no chão de tábua cor de caramelo me fosse um calmante imprescindível, ou melhor, um conselheiro essencial, o supra-sumo da razão,  na (urgente) hora de agir.
Posicionei-me atrás do sofá em que te recostavas, aproximei-me com cautela da tua nuca, desembainhei as mãos dos bolsos das jeans - não sei bem porquê, mas quando estou nervosa começo a enrolar as mãos nos bolsos -, esfreguei-as nas pernas das jeans, para secar algum resto de suor imaginário, e comecei a minha cena da tua ressuscitação, sem saber quem esperar de volta. Soltei as mãos no teu pescoço, num movimento descendente, lento, suave, como água morna deslizando sem pressas, detive-me o tempo de abrir os primeiros 3 botões da tua camisa azul, não contando com o do colarinho e o seguinte, esses já abertos e libertos da gravata, evoluí até aos ombros, parei nas omoplatas, regressei à nuca e continuei, em deambulações aparentemente sem tino ou destino certos, tal como tinha andado na passadeira que media a distância entre os teus olhos e o objecto da sua perdição. Isso sim, com grande suavidade e perfeita cadência, que me levaram a semicerrar os olhos, enquanto sentia os teus músculos derreter sob as minhas mãos.
Sobressaltei-me quando as tuas mãos prenderam as minhas num abraço forte e viraste a cabeça para trás, trocando os teus olhos nos meus. 
Não perguntei, em que estavas a pensar?, mas respondeste, sabes em que estava a pensar? Sorrias, ao mesmo tempo que me puxavas para ti. Que interessa isso?, pensei, mas não respondi, apenas um sorriso, e tu disseste... 
Não sei o que disseste, mas as palavras tinham-se tornado o absoluto da desnecessidade.
 
    
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

ALMAS ROUBADAS

Por vezes, dou comigo a roubar almas, almas desprevenidas, expostas na singeleza,  no cansaço, na tensão, no esquecimento ou no abandono de corpos-cápsula.
Verdadeiramente, são almas que não estão lá, quero dizer, nos corpos-cápsula. Não estão lá, porque já não estão lá ou porque, naquele momento, não estão lá ou, então, estão lá mas não querem, não deviam ou não mereciam, o que é outra forma de não estarem lá.
Portanto, bem vistas as coisas - e passo a corrigir-me -, não se trata de roubo.
Trata-se, apenas, de apanhar almas que vogam por aí! Não com intuito de apropriação, mas por mero comando de empatia. E não deixo de as restituir!
 
À senhora muito idosa, que, na sua leveza intemporal, se confundia com as maravilhosas flores dos Butchart Gardens, em Vancouver Island, Canadá (2004). Quem sabe não seria ou não estaria em vias de se converter numa delicada Fada das Flores!? 
 
 
Às mulheres tristes e cansadas de Tallinn (2005), (in)pacientes na espera do transporte público, enquanto imersas  no desencanto ou na zanga doutras esperas por cumprir.
 

 
Às idosas desamparadas de S. Petersburgo (2005), apanhadas nas malhas da transição do comunismo para o capitalismo, que lhes roubou a garantia duma subsistência mínima, oferecendo-lhes, em troca, a liberdade de mendigar.
 

 
À frágil e muito idosa senhora, que, algures na Bulgária, corria o ano de 2006, se propôs vender flores à porta do autocarro de turismo, oferecendo a doçura e a inocência dum sorriso de menina. 
 
 
Ao  homem pensativo, que procurava limar as arestas da dúvida e apaziguar o cansaço da vida, no recolhimento duma deslumbrante Mesquita de Istambul(2009).  
 
 
Àquela senhora de olhar ausente, perdido de infinitos, materializada num banco de jardim, na marginal de Split (2011), através da presença do seu pequeno companheiro-cão e da carteira, sentada a seu lado, feita seu eco-sósia.
 
  
Ao homem estacionado na esplanada dum café de Liubliana (2011), entregue à azáfama de pensamentos vários, talvez banais, talvez não.  
 
 
À caminhante solitária dos caminhos austeros dum recanto da Islândia (2014), quem sabe se recordando percursos menos solitários.